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Artigo | Arq. Romeu Duarte | Muito barulho por nada

Já reparou, caro e distraído leitor, no verdadeiro bombardeio de informações de que você é alvo no cotidiano? Pare um pouco e pense na enxurrada de notícias que lhe chega a todo instante, invadindo a sua privacidade e ocupando o seu precioso tempo. Se você, como eu, é daqueles que gosta de estar bem informado, por dentro das coisas do mundo, inteirado sobre o que acontece por aí, deve sofrer um bocado. Explico-me: a quantidade de matéria jornalística desnecessária e sem futuro é tão grande que amarga o humor de qualquer um. Sem lenço e sem documento, diria agora Caetano Veloso, com razão: “quem lê tanta notícia?”. Para cada nova importante, mil outras irrelevantes. Quem chegasse hoje à Terra, de fato pensaria: a raça humana é viciada em besteiras.

Dando uma rápida vista d’olhos no noticiário, tanto faz se de papel ou virtual, deparamos com o seguinte panorama: “Mulher morta pelo namorado no Rio Grande do Sul era obrigada por ele a se vestir como homem”. Quem compreenderá os caminhos tortuosos do coração, terreno em que não se anda? “Ronaldinho Gaúcho aluga um Lamborghini amarelo para curtir em Miami”. Pior seria farrear no Bom Jardim a bordo de um Chevette 1978. “Aos 63 anos, Vera Fischer aparece sem maquiagem em aeroporto do Rio de Janeiro”. Realmente, melhor ter ficado em casa ou ido de ônibus. “Excesso de partidos cria ingovernabilidade, diz FHC”. O Rei da Bobagem strikes back. Esta a melhor do dia: “Esquilo salta do 21º andar de prédio no Canadá e sobrevive”.

Mas não para nesse ponto: “Mulher tem ratazana como pet”. Terá ela coragem de passear na praça com o bicho na coleira? “Tricolor de Aço é punido pela quebradeira de cadeiras no jogo contra o Brasil de Pelotas”. Cansada de esperar sentada pelo acesso à Série B, a torcida do Leão do Pici agora quer esperar deitada. “TAM adia decisão sobre o hub”. Quem dá mais, quem dá mais? “Para construção de viadutos e rotatória, 148 árvores são retiradas na Aerolândia”. Fortaleza, capital mundial do urbanismo rodoviarista. “Top model da Victoria’s Secret desfila com lingerie de 8 milhões de reais”. E quem dá fé da calcinha e do sutiã da moça? “Dinheiro na Suíça não é nada de mais, diz Cunha”. Nem de menos, diria um gaiato. E o bom é eu ficar aqui comentando…

E segue o carrossel de absurdos: “Fã que tatuou Joelma e Chimbinha nas costas quer apagar desenho”. O que vai na cabeça de quem empresta a própria pele para gravar o (falso) amor alheio? “Botafogo busca vitória para subir e ver promessa de strip-tease de Maitê Proença se cumprir”. Como diria o Chacrinha, “ajoelhou, tem que rezar, cabrito berra quando quer mamar”. “Lula recebeu 4 milhões de reais da Odebrecht, diz a PF, informando ainda que a empreiteira doou 975 mil reais ao Instituto FHC”. Marronzinha essa nossa imprensa, não? Como sabe usar bem os verbos…E por aí vai. Zilhões de palavras, rios de tinta, incontáveis feixes de elétrons, tudo isso para nada. Ou para tudo. Amigo leitor, busque outras emoções. De texto besta, já basta este…

Publicado no jornal O Povo, em 9/11/15.

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