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Imprensa cearense repercute Pesquisa CAU/Datafolha

PESQUISA CAU/ DATAFOLHA: Os riscos da autoconstrução

 

Para fazer reformas e obras em casa, é necessário investir não apenas dinheiro, mas também tempo e planejamento. Esse planejamento idealmente envolve profissionais habilitados para pensar as questões estruturais das modificações a serem feitas, de modo que o processo ocorra com tranquilidade. No entanto, grande parte da população prefere não fazer uso desse serviço.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituo Datafolha, por encomenda do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU), a maior parte das reformas ou construções particulares no Brasil é feita sem o acompanhamento de um profissional da área.

Dos entrevistados, 54% já fizeram reformas ou construções, sendo que menos de 15% desses fizeram uso do serviço de um arquiteto ou engenheiro na obra. Em âmbito regional, a situação é ainda mais sensível: no Nordeste, esse número cai para 7,1%. O motivo mais recorrente é a questão financeira, o que geralmente faz com que se prefira contratar pedreiros e mestres de obras.

Segundo Odilo Almeida Filho, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Ceará (CAU/CE), o primeiro risco que se corre quando se abre mão do serviço desse profissional é o da saúde e proteção dos habitantes. Isso porque, quando a reforma é feita por um profissional que não tem a formação técnica necessária, há o risco de o material não ter sido trabalhado do modo correto. “A autoconstrução pode ser tão prejudicial quanto a automedicação”, conta.

O paralelo com a medicina também foi feito por Custódio Santos, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Ceará (IAB-CE). “É como se a gente fosse fazer uma cirurgia com alguém que é leigo, os riscos são altíssimos”, alerta. Além dos riscos à saúde, ele menciona também que o espaço não seria tão bem utilizado, com probabilidade maior de deixar de lado questões como ventilação e entrada de sol.

Sai mais barato

Quanto ao fato de os brasileiros preferirem dispensar esses serviços pela questão financeira, Odilo observa que o projeto costuma ser cobrado na razão de mais ou menos 10% do valor total da obra, enquanto uma falha ou serviço mal feito poderia custar ainda mais caro. No fim das contas, é o famoso “barato que sai caro”.

 

Já Victor Frota Pinto, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE), lembra que alguém sem a formação técnica indicada para planejar o serviço pode acabar encarecendo a obra. Isso porque, apesar de o cliente não estar gastando com mais uma contratação, o pedreiro ou mestre de obras geralmente usa mais material do que o necessário, gerando desperdício.

 

Sandra Ferreira, aposentada, ocasionalmente, faz reformas em casa com o serviço de um pedreiro. Apesar disso, ela reconhece que seria melhor se contratasse um arquiteto. Ela conta que o serviço já acabou resultando em alguns descuidos, como manejo inapropriado de materiais. Como resultado, pode-se notar defeitos de pequeno porte no imóvel, por exemplo no reboco. O motivo para Sandra não contratar um arquiteto, como deseja, é financeiro, assim como em grande parte dos brasileiros.

PERIGOS

 

Há risco do ponto de vista da saúde e da proteção dos habitantes do imóvel. Materiais mal manuseados podem ocasionar até desabamentos.

O dinheiro economizado por não contratar arquiteto ou engenheiro pode ir pelo ralo caso a obra seja feita de modo inapropriado, tendo-se que gastar mais para cobrir os danos.

Aspectos da ambientação do imóvel podem ser ignorados, como ventilação e iluminação.

O QUE DIZ A LEI

 

Toda nova edificação deve ser registrada junto ao governo

Reformas que possam comprometer a segurança da edificação devem ser analisadas pela construtora e pelo projetista

Em obras fora das normas adequadas, o morador pode ser responsabilizado em caso de acidente.

PESQUISA CAU / DATAFOLHA

 

No Brasil, menos de 15% das pessoas que já fizeram reformas ou construções contrataram arquiteto ou engenheiro.

 

No Nordeste, esse número cai para aproximadamente 7%.

 

Entre as que contrataram, 78% se disseram satisfeitas ou muito satisfeitas com o serviço.

 

Entre os que não contrataram, 45% não o fizeram por motivos financeiros.

A maioria dos entrevistados acredita que um arquiteto cobraria de 20 a 40% do valor da obra. Segundo os profissionais do ramo, esse número gira em torno de 10%.

Fonte: Jornal O Povo

Leia mais em: http://www.opovo.com.br/app/opovo/imoveis/2015/10/24/notimoveis,3523119/autoconstrucao-e-veneno.shtml

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